História da biblioteca
- 1 de jan. de 2017
- 3 min de leitura

Ele tinha os cabelos castanhos e um sorriso bobo meio tímido. Eu podia me imaginar de mãos dadas ao seu lado e mais uma penca de filhos. O vi pela primeira vez na igreja e depois não pensei mais em querer encontrá-lo, já que isso seria difícil, eram muitas pessoas de diferentes localidades, para mim a probabilidade de reencontrar aquele boy seria zero.
Felizmente duas ou três semanas depois, vi ele na faculdade. Meu coração parecia uma daqueles toboáguas cheios de ondas e curvas na medida em que meus olhos se perdiam na imensidão daquele corpo atlético.
Naquele dia, tentei descobrir mais sobre ele e o segui pelos corredores, no entanto, ele foi para o estacionamento, saiu de carro pelas ruas me deixando na dúvida com uma estranha sensação de quero mais.
Como seria o nome dele? Será que ele tem cócegas na barriga? Prefere doce ou salgado? Curte comédia, terror, drama? E seu colo será que é macio e seu abraço apertado?
Alguns dias se passaram não encontrei mais. Distraída vejo ele na saída da aula e segue direção ao terminal rodoviário. Vou logo atrás na expectativa de esbarrar nele, sentir seu toque e o som da palavra desculpe seguido de um diálogo que não terminaria tão cedo. Em meio à multidão de alunos perdi o cara de vista e desisti mais uma vez.
Três dias depois enquanto esperava alguns amigos vi ele novamente, notei que estudava no prédio em frente ao meu e decidi investigar. Ao longo da noite algumas amigas me ajudaram e finalmente fiquei sabendo que estudava Engenharia Civil, provavelmente, no quarto semestre.
Mas isso não significava nada perto da minha grande conquista: encontrei o boy no Facebook. Mandei solicitação de amizade, claro, porém dentro de cinco dias e nada de me aceitar para nos tornarmos amigos virtuais.
Em meus estudos na biblioteca encontrei ele de novo. Estes nossos encontros começaram a ser frequentes. Talvez eu sempre tivesse cruzado com ele e não percebia.
Não conseguia estudar com ele estando no mesmo ambiente que eu. Ele me fazia perder a concentração fácil, fácil. De longe eu via ele concentrado fazendo contas na calculadora científica e de camisa vermelha com desenhos de pac man faziam meus pensamentos viajar e desejar estar ali numa cadeira do lado dele admirando suas anotações e com os cotovelos sob a mesa aguardar terminar para comermos um dogão juntos.
De volta a realidade, dois dias após esse momento único que eu pude admirá-lo mesmo que distante, vi ele na biblioteca mais uma vez e falei para algumas amigas pedirem o número de celular dele, pois eu não aguentava mais. Era angustiante, não me aceitou na rede social e eu não sabia nada sobre ele, além de suas olhadas de canto de olho quando eu estava por perto.
Lá estava eu perto da porta de entrada e as amigas foram até ele que estava lindo como sempre concentrado estudando, iria ter uma apresentação de trabalho pelo que eu consegui entender. De repente as meninas voltam. Era uma mistura de sentimentos, minha barriga parecia um tsunami de 10.4 de magnitudes na escala, de tanto que se revirava. Minhas mãos suavam e nada parecia fazer sentido naquele instante, eu perdia a concentração quando ele estava por perto e eu estava em um estado eufórico, aquele momento poderia ser o início de uma aventura ou uma despedida.
As garotas se aproximaram e em tom baixo e cabisbaixas dizem o inesperado: tentamos, mas ele tem namorada.
De primeiro instante eu queria sumir, não queria acreditar, era piada, só podia...mas não era. Fiquei tristonha, mas apesar disso não havia o que fazer, deixei de lado e segui tentando entender como eu pude deixar isso acontecer e motivada a aprimorar minhas técnicas de investigação.
Às vezes a vida parece filme de sessão da tarde, cheia de surpresas, altos e baixos, mas com finais felizes. O Lucas, deve ter apresentado o trabalho, continua seus estudos e seu namoro; e eu ainda tentando entender essa história maluca. Valeu cara, você nem sabe desse role todo, mas foi bom te conhecer.



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